sexta-feira, 12 de março de 2010

R. I. P.

Glauco (1957 - 2010)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Eufemismo

Em uma transmissão da ESPN de um jogo da UEFA Europa League, o narrador (isso não é uma omissão respeitosa, não sei o nome dele mesmo) o narrador disse "Felipão é o técnico mais bem pago do mundo, mesmo estando em um centro menor".

Pelo amor de Deus! O Uzbequistão não é um "centro menor". O Uzbequistão é - em bom português roubado do Antero Greco - a periferia do futebol. Se o esporte for uma cidade, ou melhor, se o futebol for São Paulo, o Uzbequistão é Parelheiros.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Costumo ser otimista, a Flora diz que eu tenho "complexo de Polyanna", mas hoje vi um sinal da falência do mundo, incontestável até pra mim - a Susan Boyle tem uma biografia em livro.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Diário de um Carrasco

13 de Agosto

Hoje foi minha centésima execução. Ao contrário do que eu gostaria (e merecia, diga-se de passagem), ninguém sequer notou. A discrição pode ser, sim, um dos pontos fortes da profissão (não suportaria gente me parando na rua para pedir autógrafo) mas, às vezes, é tanta que chega a ser anti-social. Uma data tão significativa para o trabalho de um sujeito e ninguém se toca! Em outro ramo, os colegas me pagariam uma rodada de chopp, trariam um bolo com cem velinhas, sei lá. Aqui a data passou em branco.

Por falar em data, começo esse diário como singelo presente para mim mesmo e como comemoração possível à minha data especial, e não por ser 13 de agosto, como podem pensar os mais paranóicos. Aliás, nunca entendi por que essa piração toda com agosto. É só um mês. E um mês bem agradável, se for comparar ao calor de fevereiro. Não, não gosto de calor. E não, não é sexta-feira, caso algum engraçadinho queira saber.

Qual é a sensação? Sempre me perguntam. Tento responder com o maior número de detalhes possível, mas ninguém entende. Então adotei a resposta mais curta – é legal.

Bom, é inevitável me gabar um pouquinho pela marca, e modéstia a parte, tenho o direito de estar satisfeito, sou bom no que faço.

Meu centésimo colega foi uma mulher, como os nomes no feminino pressupõem. Dei um presente para ela também, morte instantânea e indolor. Pensando bem, sei lá se é um presente ou não. Eu nunca morri, como vou saber? Sei é que indolor e instantâneo tem a ver com o lugar em que eu prendi a corda e com os ossos que quebraram, mas não vou encher linguíça com detalhes técnicos. Isso é um diário, não um manual de instruções.

Para dar clima de festa, fiz com que a quantidade e o barulho dos ossos partidos da colega fossem maior que o habitual. Ecoou, foi lindo. Fogo de artifício nenhum do mundo teria o mesmo efeito. Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas minha euforia é compreensível, não é todo dia que se completam cem execuções.

Estranho, as pessoas acham estranho que eu chame de “colega” o que elas preferem chamar de “vítima” ou “condenado”. Acham tão estranho que eu parei de falar assim na frente dos outros. Mas, estranho por que, se de fato não são nada além de meus colegas? Enganam-se se pensam que a questão aqui é justiça ou vingança. É só trabalho.

E parabéns para mim.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Is-so-é u-ma vergonha!

No encerramento de uma matéria do Jornal da Band de 31 de dezembro sobre a Mega-Sena acumulada, dois garis desejaram feliz ano novo.

Mais tarde, durante a vinheta de intervalo, o som vazou justamente quando o âncora, Boris Casoy, dizia "que merda, dois lixeiros desejando feliz ano novo [...] do alto de suas vassouras". Caíram de pau em cima do cara. A palavra favorita é "preconceituoso"; me soa a rico falando "não tenho nada contra pobre, gosto muito e um dia até quero ter uns dois em casa pras crianças brincarem". Parece que passou despercebido que os garis teriam sido humilhados da mesma forma caso Boris não tivesse dito nada. Eles foram filmados em um contexto obviamente de sarro, uma coisa tipo "sobrou 30 segundos, vamos apontar a câmera pra esses retardados e ver no que dá".

O que mais me espantou não foi o comentário idiota de Boris e sim o fato de um jornalista com 728 anos de profissão ter dado chance pra que um comentário sem dúvida comprometedor vazasse.

Semana passada (ou retrasada, ou no começo dessa, não sei direito) parece que um cara foi assassinado na Dona Deola da rua Conselheiro Brotero. Isso me lembrou quando um francês foi morto a facadas na Alameda Franca, na porta do Ritz, nas férias de julho de 2007. Por que os lugares que eu frequento só ficam legais quando eu to fora da cidade?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Frase do ano

"A guerra pode ser um instrumento para alcançar a paz"
- Barack H. Obama, prêmio Nobel da Paz, mostrando de que é o H.